"I have a passion for teaching kids to become readers, to become comfortable with a book, not daunted. Books shouldn’t be daunting, they should be funny, exciting and wonderful; and learning to be a reader gives a terrific advantage."

— Roald Dahl (via thegirlandherbooks)

(Source: excessivebookshelf, via thegirlandherbooks)

For Readers (and Writers, too)

  • 1: Read what you want.
  • 2: Recommend authors and books without fear.
  • 3: Be unafraid to share your strong opinions about certain authors and/or books.
  • 4: Don't judge people if they don't read or like "classics".
  • 5: Never lose your love of reading.
  • 6: If you want to write, write.
  • 7: Never be embarrassed of the fact that you always have a book with you.
  • 8: Make a book blog.
  • 9: Lose yourself in a bookstore/library/thrift store book section.
  • 10: Be your own reader.
  • 11: Accept the fact that people will always recommend books to you.
  • 12: Fall in love with book characters.
  • 13: Idolize authors.
  • 14: Dream of your own private library.
  • 15: Wish that you could experience what Belle did in Beauty and the Beast. (You know what I'm talking about.)
  • 16: Spend a whole day organizing your books.
  • 17: Spend all of your money on books.
  • 18: Always ask for and/or expect book-related gifts on special occasions and/or holidays.
  • 19: Tell your parents that daylight will come and go, but good books are hard to find.
  • 20: Sleeping is overrated, tomorrow is another opportunity to sleep.
O prazer desfocado que é poder estudar o meu livro favorito.

O prazer desfocado que é poder estudar o meu livro favorito.

Maria do Rosário Pedreira - Poesia Reunida

Maria do Rosário Pedreira - Poesia Reunida


“Literature is invention. Fiction is fiction. To call a story a true story is an insult to both art and truth. Every great writer is a great deceiver, but so is that arch-cheat Nature. Nature always deceives. From the simple deception of propagation to the prodigiously sophisticated illusion of protective colors in butterflies or birds, there is in Nature a marvelous system of spells and wiles. The writer of fiction only follows Nature’s lead.” —Vladimir Nabokov, Lectures on Literature

“Literature is invention. Fiction is fiction. To call a story a true story is an insult to both art and truth. Every great writer is a great deceiver, but so is that arch-cheat Nature. Nature always deceives. From the simple deception of propagation to the prodigiously sophisticated illusion of protective colors in butterflies or birds, there is in Nature a marvelous system of spells and wiles. The writer of fiction only follows Nature’s lead.” —Vladimir Nabokov, Lectures on Literature

(Source: juliettetang, via thegirlandherbooks)

Gonçalo M. Tavares - Uma viagem à Índia // ou Camões, depende do ponto de vista x)

Gonçalo M. Tavares - Uma viagem à Índia // ou Camões, depende do ponto de vista x)

Trecho 303 - Livro do Desassossego

O mundo é de quem não sente. A condição essencial para se ser um homem prático é a ausência de sensibilidade. A qualidade principal na prática da vida é aquela qualidade que conduz à acção, isto é, a vontade. Ora há duas coisas que estorvam a acção - a sensibilidade e o pensamento analítico, que não é, afinal, mais que o pensamento com sensibilidade. Toda a acção é, por sua natureza, a projecção da personalidade sobre o mundo externo, e como o mundo externo é em grande e principal parte composto por entes humanos, segue que essa projecção da personalidade é essencialmente o atravessarmo-nos no caminho alheio, o estorvar, ferir e esmagar os outros, conforme o nosso modo de agir.

Para agir é, pois, preciso que nos não figuremos com facilidade as personalidades alheias, as suas dores e alegrias. Quem simpatiza pára. O homem de acção considera o mundo externo como composto exclusivamente de matéria inerte - ou inerte em si mesma, como uma pedra sobre que passa ou que afasta do caminho; ou inerte como um ente humano que, porque não lhe pôde resistir, tanto faz que fosse homem como pedra, pois, como à pedra, ou se afastou ou se passou por cima.

O exemplo máximo do homem prático, porque reúne a extrema concentração da acção com a sua extrema importância, é a do estratégico. Toda a vida é guerra, e a batalha é, pois, a síntese da vida. Ora o estratégico é um homem que joga com vidas como o jogador de xadrez com peças do jogo. Que seria do estratégico se pensasse que cada lance do seu jogo põe noite em mil lares e mágoa em três mil corações? Que seria do mundo se fôssemos humanos? Se o homem sentisse deveras, não haveria civilização. A arte serve de fuga para a sensibilidade que a acção teve que esquecer. A arte é a Gata Borralheira, que ficou em casa porque teve que ser.

Todo o homem de acção é essencialmente animado e optimista porque quem não sente é feliz. Conhece-se um homem de acção por nunca estar mal disposto. Quem trabalha embora esteja mal disposto é um subsidiário da acção; pode ser na vida, na grande generalidade da vida, um guarda-livros, como eu sou na particularidade dela. O que não pode ser é um regente de coisas ou de homens. À regência pertence a insensibilidade. Governa quem é alegre porque para ser triste é preciso sentir.

O patrão Vasques fez hoje um negócio em que arruinou um indivíduo doente e a família. Enquanto fez o negócio esqueceu por completo que esse indivíduo existia, excepto como parte contrária comercial. Feito o negócio, veio-lhe a sensibilidade. Só depois, é claro, pois, se viesse antes, o negócio nunca se faria. “Tenho pena do tipo”, disse-me ele. “Vai ficar na miséria.” Depois, acendendo o charuto, acrescentou: “Em todo o caso, se ele precisar qualquer coisa de mim” - entendendo-se qualquer esmola - “eu não esqueço que lhe devo um bom negócio e umas dezenas de contos.”

O patrão Vasques não é um bandido: é um homem de acção. O que perdeu o lance neste jogo pode, de facto, pois o patrão Vasques é um homem generoso, contar com a esmola dele no futuro.

Como o patrão Vasques são todos os homens de acção - chefes industriais e comerciais, políticos, homens de guerra, idealistas religiosos e sociais, grandes poetas e grandes artistas, mulheres formosas, crianças que fazem o que querem. Manda quem não sente. Vence quem pensa só o que precisa para vencer. O resto, que é a vaga humanidade geral, amorfa, sensível, imaginativa e frágil, e nao mais que o pano de fundo contra o qual se destacam estas figuras da cena até que a peça de fantoches acabe, o fundo-chato de quadrados sobre o qual se erguem as peças de xadrez até que as guarde o Grande Jogador que, iludindo a reportagem com uma dupla personalidade, joga, entretendo-se sempre contra si mesmo.

Bernardo Soares

<3

aseaofquotes:

— Orson Scott Card

<3

aseaofquotes:

— Orson Scott Card

(via passarinhorenascido-deactivated)

Morri.

atokniiro:

An introspective journey of artistic self discovery, presented as a 6 page comic.

(via jephjacques)

Sonhar de dia

Ouço frequentemente as pessoas contar-me que não conseguem dormir. Porque lhes custa, porque é difícil, porque padecem de uma doença qualquer que não sabem curar. Pergunto-me se não conseguem dormir pelos mesmos motivos que eu não consigo dormir. Ainda pergunto, mas ninguém sabe realmente explicar demasiadamente bem os motivos pelos quais não consegue dormir. Eu próprio não sou capaz de tirar do ar as palavras que expliquem a outra pessoa porque não consigo dormir. Era preciso estar dentro de mim e a capacidade de fazer isso com palavras é algo que se pratica e que ainda não sei fazer.

Mas, e é essa a surpresa e o dom de algumas pessoas, de algumas fadas, houve um passarinho que me disse por entre trinados uma interpretação do problema que me fez ver a questão de um ponto de vista que não conhecia. Explicou-me que antes tinha medo de dormir, porque como sonhava de dia, para a noite restavam-lhe os pesadelos. Agora dormia bem e queria dormir porque só sonhava ao dormir.

Quem sabe não tem ela razão e não consigo dormir de noite porque sonho todo o dia. Os pesadelos não querem nada comigo de noite também, andam pelos meus dias, saltitantes e réprobos de minhas noites. Os meus dias são assim, nunca os soube de outra maneira, cheios de pessoas por trás das pessoas, personagens que bebem delas e lhes recolhem os maneirismos para me depois surgirem em cenários diferentes. Cores por trás dos quadros pretos da universidade que fazem com que o branco que neles se inscreve seja difícil de perceber, tramas e outras coisas que não sei explicar em português a entretecer-se por entre cada olhar que se me dirige. Comovo-me diariamente mil vezes com problemas que não sou meus, mas que vivo como se fossem porque invento logo uma pessoa que não existe e que os vai sofrer da mesma maneira mas num mundo que é só meu. E sonho, e sonho, constantemente, com quem não está cá mas devia estar. E só estou acordado quando estou a transformar os meus sonhos em pessoas de papel, como lhes chamava o Eça, quando estou a ver um futuro para mim que não passa pela minha pessoa e quando estou a imaginar diferente. E custa sempre ouvir falar de males de coração, porque sonho males de coração todos os dias e pinto-os de todas as formas possíveis, porque é um tema mais antigo do que todos os outros, e os poetas andam a inventar novas formas de os cantar desde que há memória de pena em cima de papel, sem nunca serem capazes de os mostrar a outra pessoa tão completos como aqueles que andam de volta de nós todos os dias quando nos deixamos acordar. Os males de coração são o nosso sonho e o nosso acordar, são as nossas notícias e a nossa vida inteira, são uma dor boa de saudade de que precisamos para nos reinventar, porque antes do renascer precisamos do caos.

Mesmo enquanto estou aqui sentado, pronto para enviar estas palavras para quem mas quiser ler, metade delas é verdade, porque sou eu que as estou a inventar e não posso inventar nada que não esteja dentro de mim, a outra metade é sonhada mas é minha na mesma. Será que é por isso que não durmo de noite? Porque sonho de dia?

Isso seria um aborrecimento… Porque não quero deixar de o fazer.